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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O presente de Natal de Temer para os patrões: acabar com os direitos trabalhistas, diminuir os salários e tentar destruir os sindicatos de luta


Dez/ 2016 E TUDO ISSO COM O APOIO DA FORÇA SINDICAL, CENTRAL A QUE É FILIADO O SINDICATO DOS METALÚRGICOS DE GRAVATAÍ (SINDIPELEGO)


O governo Temer/PMDB deu seu presente de Natal aos patrões em 22/12. O presidente assinou a Medida Provisória que prorroga, até o final de 2018, a redução da jornada COM REDUÇÃO DE ATÉ 30% DOS SALÁRIOS por meio do PPE (Programa de Proteção ao Emprego), que agora terá um novo nome: Programa de Seguro Emprego (PSE).

Temer também encaminhará ao Congresso Nacional, já no início de 2017, projetos de lei para reduzir direitos dos trabalhadores. Seguem abaixo as principais medidas.



ACORDOS COLETIVOS VALERÃO MAIS DO QUE A LEI 

O projeto que quer que os acordos NEGOCIADOS entre patrão e sindicato tenham mais força do que as LEIS TRABALHISTAS têm um único objetivo: legalizar as várias flexibilizações dos nossos direitos, que já vinham acontecendo onde os sindicatos são pelegos ou os trabalhadores não conseguem se mobilizar para resistir. Ao tornar legal essas práticas perante à lei, estaremos perdendo direitos. 

O projeto do NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO irá permitir que os sindicatos de trabalhadores e os patrões decidam sobre:

➡ Parcelamento das férias em até 3x, com pagamento proporcional

➡ Flexibilizar a jornada diária para até 12h (seria possível trabalhar, por exemplo, 10, 11 ou 12 horas em um dia sem ganhar horas extras, desde que se respeite a jornada de 44 horas semanais ou as 220 horas mensais)


➡ Parcelar o pagamento do PPR


➡ Aderir ao PSE (antigo PPE): redução da jornada de trabalho com redução dos salários em até 30%


➡ Vincular a remuneração à produtividade 

➡ Registro da jornada de trabalho


➡ Redução do intervalo interjornada, que deverá ter no mínimo 30 minutos (como almoço, por exemplo)


➡ Ampliação de banco de horas (as horas que excederem a jornada normal poderão ser convertidas com acréscimo de no mínimo 50%)


➡ Regulamentar as horas in itinere (hora extra computada nos casos em que o empregado se desloca com transporte da empresa)




 Em resumo, os acordos coletivos eram usados pelos sindicatos combativos para acrescentar mais direitos além daqueles que já existiam na CLT. Com o projeto de Temer e dos patrões,  a tendência é que ocorra o inverso: que a CLT vire o “máximo” dos direitos.

Em entrevista à mídia, a Força Sindical disse que nenhum direito trabalhista foi retirado pela minirreforma de Temer. Se pegarmos os acordos rebaixados que o Sindipelego fecha aqui em Gravataí, a Força Sindical tem razão. Afinal, nos acordos da pelegada os patrões pintam e bordam no banco de horas e nos aumentos de salário vergonhosos. A pelegada ainda não faz luta contra os PPRs baixos, o aumento dos descontos na comida e no vale transporte e assinam redução de jornada de trabalho com redução de salário via PPE, como fizeram na DANA e na WEG. A pelegada já vem aceitando há tempos a retirada dos nossos direitos, que os patrões querem legalizar agora com a reforma trabalhista.


NÃO VAI ADIANTAR NEM RECORRER À JUSTIÇA DO TRABALHO

Hoje, se os trabalhadores entrarem na Justiça contra algumas dessas flexibilizações feitas pelos patrões e/ou negociadas pelos sindicatos pelegos, eles conseguem revertê-las a seu favor. Com o projeto de deixar os acordos negociados valerem como se fossem lei,  não adiantará recorrer à Justiça, pois estará tudo legalizado.

O projeto de lei ainda estabelece que em caso de uma cláusula da convenção ou do acordo coletivo ser anulada na Justiça, se ela for benéfica para o trabalhador e se ele já recebeu a vantagem, ele terá que devolver o valor do que já ganhou.


AUMENTO DO TEMPO DE TRABALHO TEMPORÁRIO

Outro projeto desta minirreforma trabalhista quer ampliar a duração do contrato de trabalho temporário dos atuais 90 para 120 dias. Embora os trabalhadores temporários sejam resguardados pelos direitos da CLT, aumentar o trabalho temporário estimula ainda mais a rotatividade, que para muitos empresários significa “economia” já que não acumula altos valores de verbas rescisórias etc.


PATRÕES E GOVERNOS QUEREM ATACAR OS SINDICATOS PARA PODER AVANÇAR CONTRA OS DIREITOS DOS TRABALHADORES

Os Sindicatos e Organizações Sindicais de Luta sempre estiveram na luta pela ampliação da organização sindical nos locais de trabalho, com a formação de comissões e eleição de delegados sindicais para ampliar a mobilização em defesa dos seus direitos.

Agora, o governo e os patrões estão se aproveitando dessa nossa luta histórica para acabar com os sindicatos de luta, que são um obstáculo aos patrões porque não permitem que direitos dos trabalhadores sejam eliminados.

A proposta do governo nesta minirreforma trabalhista é que a eleição de delegados sindicais não precisa ser organizada e acompanhada pelos Sindicatos, e os eleitos poderiam negociar diretamente com os patrões. Isso abre brecha para que os patrões elejam, nos locais de trabalho, pessoas que sejam completamente subordinadas aos interesses das empresas e assinem acordos coletivos liberando a redução de salários e direitos.


PARA BARRAR ESTE ATAQUE É MAIS DO QUE HORA DE AMPLIAR A LUTA EM CADA LOCAL DE TRABALHO, MORADIA E ESTUDO

Portanto está mais do que na hora de fortalecer a luta em cada local de trabalho, moradia e estudo, ampliar as mobilizações com o conjunto da classe trabalhadora, pois só parando a fonte de lucro dos patrões, a produção e circulação de mercadorias, que vamos parar o ataque aos direitos.



ORGANIZAR A GREVE GERAL PRA VALER É A ÚNICA FORMA DE IMPEDIR O FIM DOS DIREITOS!

INTERSINDICAL E OPOSIÇÃO METALÚRGICA DE GRAVATAÍ: NENHUM DIREITO A MENOS!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Inflação da cesta básica dos últimos 12 meses foi de 14,09%

Segundo o IEPE (Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas) o custo da cesta básica nos últimos 12 meses aumentou 14,09%, e a inflação na região metropolitana de Porto Alegre nos últimos 12 meses foi de: 12,43%. Segundo o INPC (índice oficial usado pelo governo calculado pelo IBGE) a inflação para o mesmo período foi de 10,4%.

A inflação é calculada a partir de uma longa lista de produtos, mas se pegarmos alguns produtos, por exemplo, carne, energia elétrica, gasolina, habitação e frutas, veremos que a inflação destes produtos ficou bem acima da média.

Isso significa que a correção da inflação nos nossos salários depende de quais produtos nossa família mais consome. E portanto pode ficar bem acima dos 12,43%.

Ou seja, se o reajuste salarial for de 12,43% poderemos não continuar comprando as mesmas coisas no mercado na hora de fazer o rancho.
Ou continuaremos comprando, às custas de se endividar no cartão de crédito e cheque especial (o que também deveria ser incluído no reajuste salarial, já que é feito só 1 vez por ano).

Na realidade mesmo se não tivermos nenhum aumento real,  para não termos nenhuma perda salarial nossos reajustes teriam que ser mensais, a cada contra-cheque.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

APERTE O CINTO...

Núcleo de Educação Popular 13 de Maio - São Paulo, SP

CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA

Tel. (11) 92357060 ou (48) 96409331 e-mail: criticasemanal@uol.com.br

EDIÇÃO 1093 – Ano 26; 4ª semana fevereiro 2012.

O capital não se importa com a opinião dos seus economistas. Nem com
suas inócuas políticas econômicas. Passa por cima das turbulências do
crédito, da impotência dos bancos centrais e alarga sem pedir licença a
avenida de mais um período de reprodução ampliada global.

Enquanto a maioria dos economistas continua a afirmar que a crise de 2008/2009
não terminou – alguns ainda mais levianos chegam a afirmar que a economia
permanecerá estagnada nos próximos dez anos! – o que se observa na vida real é
uma lista interminável de fatos demonstrando a continuidade e intensificação da
recuperação iniciada no 3º trimestre de 2009.
Vamos aos fatos. Começando pelos ramos industriais mais estratégicos
para a dinâmica da economia. Na indústria aeronáutica, por exemplo. O capital
está voando. Literalmente. Tanto nos EUA quanto na convulsionada Europa. A
conhecida revista inglesa The Economist relata que tanto a norte-americana
Boeing, quanto a europeia Air Bus, que monopolizam a produção mundial de
aviões de grande porte, correm cada vez mais rápido para atender uma
incalculável avalanche de encomendas de novos aviões. 1

FLYING TO THE MOON 2 – A revista observa que são raros os negócios nos quais

os clientes dos próximos seis anos estejam alinhados em uma fila tão bem-
organizada – fazendo gordos adiantamentos e os completando com mais parcelas
enquanto esperam na fila para ser atendidos. Essa é a folgada posição em que a
Boeing se encontra. No dia 25 de janeiro ela anunciou um aumento de 21% no
lucro líquido anual, para 4 bilhões de dólares.
A maior (e única) rival da Boeing, a Airbus, tem um acúmulo de pedidos
ainda maior – de até oito anos com a capacidade de produção atual. Ano passado,
com esforços para aumentar a produção e atender à demanda crescente, as duas
gigantes fabricantes conseguiram entregar o número recorde de 1011 aparelhos.

JOSÉ MARTINS.

1

The Economist – Faster, faster, faster... the planemakers struggles to fulfil a rush of orders [Mais
rápido, mais rápido, mais rápido... os fabricantes de aviões lutam para atender uma avalanche de
encomendas] – 28/Janeiro/2012 http://www.economist.com/node/21543555
2
[Voando para a lua]

1

Mas para cada avião que entregavam, elas recebiam mais duas encomendas
novas – então a fila continuava crescendo. Em 25 de janeiro deste ano a Boeing
recebeu da Europa sua maior encomenda até agora: a Norwegian Air Shuttle, da
Noruega, vai comprar 122 mega-aparelhos no valor de 11,4 bilhões de dólares.
Se os clientes da Boeing chegam da Europa, os clientes da Air Bus chegam das
Américas. Ninguém é suficientemente miserável, como Colômbia e Equador,
para não engrossar ainda mais aquela bem organizada fila de consumidores de
aviões das duas monopolistas mundiais do setor – a companhia aérea
AviancaTaca, junto com a sua subsidiária Aerogal do Equador, anunciou em
27/Janeiro/2012 a aquisição de 51 aparelhos Airbus A320. É a maior encomenda
de aviões de um cliente na América Latina, informa o diário Público, de Lisboa. 3

CIRCULANDO – Essas gigantescas encomendas de aviões coincidem com a não

menos acelerada expansão da produção mundial de aço. Este importante insumo
da produção industrial representa ótimo indicador de evolução do ciclo
econômico – há uma correlação marcadamente positiva entre ciclo econômico e
produção de aço. Analisemos os dados do último relatório da Worldsteel
Association 4 sobre a produção mundial de aço, em megatoneladas (Mts):



Ano:                  Mts:
2006                  1249
2007                  1347
2008                  1341
2009                  1235
2010                  1429
2011                  1526


 Estes números acompanham estreitamente a evolução do ciclo. Em 2009, auge da
crise, a produção mundial desabou para 1,235.8 Mt. Em 2011, já tinha
recuperado para 1526.9 Mt, ultrapassando em 13,4% a produção de 2007,
correspondente ao auge do período de expansão do anterior (2002-2007).
A elevação recorde desta importante commoditie industrial indica que a
fração constante do capital circulante (matérias primas e insumos industriais) já
se encontra em nível superior ao pico do ciclo anterior. A reprodução é ampliada.
Isso pode ser confirmado por outros importantes elementos da produção
industrial e do comércio internacional. É o que procuraremos verificar em nosso
próximo boletim. Até lá!

3

Público – AviancaTaca adquire 51 aviões Airbus A320 – 28.01.12
http://static.publico.pt/carga_transportes/Noticia/1531212
4
Worldsteel Association – World Crude Steel Production Summary – 23/Janeiro/2012
www.worldsteel.org

2

Para receber semanalmente em seu email análises
econômicas como esta que você acabou de ler, assine e divulgue o
boletim CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA, do 13 de Maio, Núcleo de
Educação Popular, S.Paulo.

Em 2012, estamos completando 26 ANOS DE VIDA.

Vinte e seis anos informando

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