terça-feira, 29 de maio de 2012

Südmetal - maio de 2012.

Estamos num momento de transição final da Fundição
 Becker para o Grupo Südmetal, que já vem se
desenrolando há tempos.

Como diz o ditado, “nada está tão ruim que não possa
 piorar” e o quadro que se apresenta, com a ampliação
da planta, é o de aumento do ritmo de trabalho, da
exploração, dos acidentes e doenças ocupacionais.

Temos que estar preparados para enfrentar isto.


Contatos: 9237 2964 /
8253 2991 /  9137 4567 /
9836 2206 / 8567 7292

Toda Sexta das 17 às 19 horas
sintonize na 87,9 FM e ouça o
Território Nacional ou acesse no
www.integraçãoradiofm.com.br


ELEIÇÕES PARA CIPA.

No mês de maio vão se realizar as eleições para a CIPA na
Südmetal. É neste momento que o trabalhador fará a escolha
 do rumo que vamos tomar, ou seja, quem escolheremos para
 nos representar. Se vão ser aqueles que nos defendem dos
 ataques e artimanhas do patrão ou os que simplesmente se
 omitem ou ainda os que chegam ao cúmulo de apoiar a
empresa.

O trabalhador tem que escolher outro trabalhador que seja
 comprometido com a nossa causa e ponto final. Não se pode
 dar brecha pro patrão porque a CIPA é o nosso instrumento.

ASSÉDIO MORAL A CIPEIROS.

 As chefias têm praticado assédio moral contra cipeiros na
 fábrica, excluindo alguns de suas funções, suas atribuições
 profissionais. Isso caracteriza assédio moral, pois constrange
 os companheiros frente aos colegas, como se eles  não
exercessem suas atividades, quando de fato, é a empresa que
 não quer vê-los atuando em seus setores.

ASSÉDIO MORAL A CIPEIROS.

A Südmetal aumenta seu lucro na base da exploração
desumana nas condições de trabalho e da pressão em cima de
 pressão.

A fábrica é um multiplicador de acidentes e doenças do
 trabalho. Investimento em infraestrutura e tecnologia
(ventiladores, exaustão e higiene), bem como em salários
(qualidade de vida) também, não são prioridades.

A empresa quer aumentar seu lucro a qualquer custo, como
fez recentemente ao tentar terceirizar o produto final, mas
encontrou nossa resistência através de alguns cipeiros
comprometidos com os trabalhadores.

Eles são uma pedra no sapato dos chefetes e puxa-sacos, que
não passam de capachos do patrão.


 PARTICIPAÇÃO DA SEGURANÇA DO TRABALHO.

Quando ouvimos a palavra segurança deveríamos nos sentir
 protegidos. Não é o que acontece no Grupo Südmetal onde a
 Segurança do Trabalho tem o papel de proteger a empresa da
 sujeira que ela mesma pratica dentro da fábrica, ao invés de
 cuidar da segurança do maquinário, que não falte EPI, dar
suporte para o trabalhador ter dignidade em seu local de
trabalho.

Ao invés disso vive de aplicar advertências e enviar capachos
 para testemunhar contra os trabalhadores nas audiências de
 ações trabalhistas. Deixa de exercer as atividades com as
quais deveria tratar e se preocupar de verdade, que é a 
segurança do trabalhador.



SAÚDE DO TRABALHADOR.

A empresa tem se resguardado e negado a emissão de CAT
(Comunicação de Acidente de Trabalho) nos casos de doenças
originadas do trabalho e até mesmo nos acidentes, que ficam
 sem registro.

Esta é uma “malandragem porca”(aquela que deixa rabo!)
 que a empresa através do seu “médico do trabalho” e da
“segurança do trabalho” estão utilizando para tentar limpar
a barra da empresa na questão da saúde do trabalhador,
privando-o de seu direito ao benefício B91 junto ao INSS,
como a estabilidade de 1 ano após o retorno à função e
recolhimento de FGTS durante o período de afastamento.

Tem profissionais que se prestam a varrer a sujeira para
debaixo do tapete, tentando ocultar a realidade.

Mas o trabalhador que for lesado por esses elementos deve
procurar seus direitos, inclusive denunciando ao Ministério
Público do Trabalho e ao Conselho de Medicina(CREMERS)
 para mostrar de vez que o trabalhador não é bagaço de
laranja para ser jogado no lixo depois de exaurido.

Vamos impor respeito!

Você sabia que...

    ... Para mudar a direção do sindicato e fazer com que ele finalmente esteja a serviço dos metalúrgicos, você precisa ser sócio da entidade e não simplesmente estar trabalhando nas fábricas de Gravataí?

    Então, está na hora de transformar nossa revolta em atitude, seja sócio e participe das futuras eleições sindicais.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Carta Aberta Aos Metalúrgicos.



Companheiros(as) metalúrgicos(as) de Gravataí.


Estamos passando por um momento de abandono sindical e paralizacão do movimento em nossa categoria nesta cidade que já dura, na realidade, muitos anos.


Por isso é que vários companheiros(as) trabalhadores de fábricas estão empenhados na construção da oposição metalúrgica que é um instrumento de organização daqueles que estão descontentes com a atual diretoria do sindicato dos trabalhadores metalúrgicos de Gravataí.


Porque somos oposição?


Porque não aguentamos mais os desmandos da direção do sindicato que atua de forma passiva e harmoniosa com os patrões e desmobilizam os trabalhadores deixando-os à mercê dos exploradores que passam por cima dos nossos direitos conquistados com muita luta e suor.


Nossos representantes sindicais se limitam a fazer campanhas salariais com pactos sacanas, como a carta compromisso (acordo que impede mobilizações e greves durante a campanha salarial), banco de horas e acordos medíocres deixando cada vez mais os salários arrochados.


Nosso objetivo é derrubar a direção pelega do sindicato, elegendo pessoas combativas e comprometidas com os trabalhadores e não com os patrões, tornando o sindicato um instrumento de luta e organização dos metalúrgicos de Gravataí e referência para a categoria e demais trabalhadores no estado.


Você que não concorda com esse jogo de cartas marcadas e deseja que tudo isso seja diferente, é convidado a juntar-se a nós. Associe-se no sindicato e faça valer seu direito de votar e ser votado nas eleições e assembléias da categoria.


Vamos construir juntos uma oposição capaz de enfrentar o peleguismo com coragem e determinação em cima de um programa de luta e resistência.


Chega de carreatas e atos públicos para pedir que o Estado dê ainda mais dinheiro para os patrôes, que já estão com os bolsos cheios e nada de trabalhar em favor dos metalúrgicos em Gravataí.


Sindicato é prá lutar, o resto é papo-furado!




Oposição Metalúrgica Intersindical. 
Nenhum direito a menos e avançar nas conquistas.

 _

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entre em contato conosco:



OPOSIÇÃO METALÚRGICA
INTERSINDICAL

 Instrumento de organização da classe trabalhadora nos locais de trabalho e moradia.

Informe-se e nos informe pelos fones: 
  9237 2964   
8253 2991 
9137 4567

e-mails:  
 op.metal.rs@gmail.com    e  
intersindicalgaucha@gmail.com


Oposição Metalúrgica Intersindical
Nenhum direito a menos e avançar nas conquistas.





APERTE O CINTO...

Núcleo de Educação Popular 13 de Maio - São Paulo, SP

CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA

Tel. (11) 92357060 ou (48) 96409331 e-mail: criticasemanal@uol.com.br

EDIÇÃO 1093 – Ano 26; 4ª semana fevereiro 2012.

O capital não se importa com a opinião dos seus economistas. Nem com
suas inócuas políticas econômicas. Passa por cima das turbulências do
crédito, da impotência dos bancos centrais e alarga sem pedir licença a
avenida de mais um período de reprodução ampliada global.

Enquanto a maioria dos economistas continua a afirmar que a crise de 2008/2009
não terminou – alguns ainda mais levianos chegam a afirmar que a economia
permanecerá estagnada nos próximos dez anos! – o que se observa na vida real é
uma lista interminável de fatos demonstrando a continuidade e intensificação da
recuperação iniciada no 3º trimestre de 2009.
Vamos aos fatos. Começando pelos ramos industriais mais estratégicos
para a dinâmica da economia. Na indústria aeronáutica, por exemplo. O capital
está voando. Literalmente. Tanto nos EUA quanto na convulsionada Europa. A
conhecida revista inglesa The Economist relata que tanto a norte-americana
Boeing, quanto a europeia Air Bus, que monopolizam a produção mundial de
aviões de grande porte, correm cada vez mais rápido para atender uma
incalculável avalanche de encomendas de novos aviões. 1

FLYING TO THE MOON 2 – A revista observa que são raros os negócios nos quais

os clientes dos próximos seis anos estejam alinhados em uma fila tão bem-
organizada – fazendo gordos adiantamentos e os completando com mais parcelas
enquanto esperam na fila para ser atendidos. Essa é a folgada posição em que a
Boeing se encontra. No dia 25 de janeiro ela anunciou um aumento de 21% no
lucro líquido anual, para 4 bilhões de dólares.
A maior (e única) rival da Boeing, a Airbus, tem um acúmulo de pedidos
ainda maior – de até oito anos com a capacidade de produção atual. Ano passado,
com esforços para aumentar a produção e atender à demanda crescente, as duas
gigantes fabricantes conseguiram entregar o número recorde de 1011 aparelhos.

JOSÉ MARTINS.

1

The Economist – Faster, faster, faster... the planemakers struggles to fulfil a rush of orders [Mais
rápido, mais rápido, mais rápido... os fabricantes de aviões lutam para atender uma avalanche de
encomendas] – 28/Janeiro/2012 http://www.economist.com/node/21543555
2
[Voando para a lua]

1

Mas para cada avião que entregavam, elas recebiam mais duas encomendas
novas – então a fila continuava crescendo. Em 25 de janeiro deste ano a Boeing
recebeu da Europa sua maior encomenda até agora: a Norwegian Air Shuttle, da
Noruega, vai comprar 122 mega-aparelhos no valor de 11,4 bilhões de dólares.
Se os clientes da Boeing chegam da Europa, os clientes da Air Bus chegam das
Américas. Ninguém é suficientemente miserável, como Colômbia e Equador,
para não engrossar ainda mais aquela bem organizada fila de consumidores de
aviões das duas monopolistas mundiais do setor – a companhia aérea
AviancaTaca, junto com a sua subsidiária Aerogal do Equador, anunciou em
27/Janeiro/2012 a aquisição de 51 aparelhos Airbus A320. É a maior encomenda
de aviões de um cliente na América Latina, informa o diário Público, de Lisboa. 3

CIRCULANDO – Essas gigantescas encomendas de aviões coincidem com a não

menos acelerada expansão da produção mundial de aço. Este importante insumo
da produção industrial representa ótimo indicador de evolução do ciclo
econômico – há uma correlação marcadamente positiva entre ciclo econômico e
produção de aço. Analisemos os dados do último relatório da Worldsteel
Association 4 sobre a produção mundial de aço, em megatoneladas (Mts):



Ano:                  Mts:
2006                  1249
2007                  1347
2008                  1341
2009                  1235
2010                  1429
2011                  1526


 Estes números acompanham estreitamente a evolução do ciclo. Em 2009, auge da
crise, a produção mundial desabou para 1,235.8 Mt. Em 2011, já tinha
recuperado para 1526.9 Mt, ultrapassando em 13,4% a produção de 2007,
correspondente ao auge do período de expansão do anterior (2002-2007).
A elevação recorde desta importante commoditie industrial indica que a
fração constante do capital circulante (matérias primas e insumos industriais) já
se encontra em nível superior ao pico do ciclo anterior. A reprodução é ampliada.
Isso pode ser confirmado por outros importantes elementos da produção
industrial e do comércio internacional. É o que procuraremos verificar em nosso
próximo boletim. Até lá!

3

Público – AviancaTaca adquire 51 aviões Airbus A320 – 28.01.12
http://static.publico.pt/carga_transportes/Noticia/1531212
4
Worldsteel Association – World Crude Steel Production Summary – 23/Janeiro/2012
www.worldsteel.org

2

Para receber semanalmente em seu email análises
econômicas como esta que você acabou de ler, assine e divulgue o
boletim CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA, do 13 de Maio, Núcleo de
Educação Popular, S.Paulo.

Em 2012, estamos completando 26 ANOS DE VIDA.

Vinte e seis anos informando

ASSINE AGORA A CRÍTICA Ligue agora para (11) 9235 7060 ou
(48) 96409331 ou escreva um e-mail para criticasemanal@uol.com.br e

saiba as condições para a assinatura!

e educando a classe trabalhadora!

(Algumas) Imagens sobre o massacre de Pinheirinho que a mídia não mostra:

_

Causa Operária TV - Desocupação do Pinheirinho (SJC) - Imagens exclusivas:


_

Invasão do Pinheirinho - Imagens que a TV não mostrou:


_

PINHEIRINHO; policia invadem o acampamento e população mete fogo em tudo 22/01/ 2012:


_

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Revolução Contra o Capital.

António Gramsci

24 de Abril de 1917


A revolução dos bolcheviques inseriu-se definitivamente na revolução geral do povo russo. Os maximalistas que até há dous meses foram o fermento necessário para que os acontecimentos não se detiveram, para que a marcha em direcção ao futuro não terminasse, dando lugar a uma forma definitiva de organização — que seria uma organização burguesa —, apoderaram-se do poder, estabeleceram a sua ditadura e estão a elaborar as formas socialistas em que a revolução deverá enquadrar-se para continuar a desenvolver-se harmoniosamente, sem excesso de grandes choques, partindo das grandes conquistas já realizadas.

A revolução dos bolcheviques é feita mais de ideologias do que de factos. (Por isso, no fundo, importa-nos pouco saber mais do que já sabemos). É a revolução contra O Capital de Karl Marx. O Capital de Marx era, na Rússia, mais o livro dos burgueses que dos proletários. Era a demonstração crítica da necessidade inevitável que na Rússia se formasse uma burguesia, se iniciasse uma era capitalista, se instaurasse uma civilização de tipo ocidental, antes que o proletariado pudesse sequer pensar na sua insurreição, nas suas reivindicações de classe, na sua revolução. Os factos ultrapassaram as ideologias. Os factos rebentaram os esquemas críticos de acordo com os quais a história da Rússia devia desenrolar-se segundo os cânones do materialismo histórico. Os bolcheviques renegam Karl Marx quando afirmam, com o testemunho da acção concreta, das conquistas alcançadas, que os cânones do materialismo histórico não são tão férreos como se poderia pensar e se pensou.

No entanto há mesmo uma fatalidade nestes acontecimentos e se os bolcheviques renegam algumas afirmações de O Capital, não renegam o seu pensamento imanente, vivificador. Eles não são marxistas, é tudo; não retiraram das obras do Mestre uma doutrina exterior feita de afirmações dogmáticas e indiscutíveis.

Vivem o pensamento marxista e que não morre, a continuação do pensamento idealista italiano e alemão e que se contaminou em Marx de incrustações positivistas e naturalistas. E este pensamento coloca sempre como factor máximo da história, não os factos económicos, inertes, mas o homem, a sociedade dos homens, dos homens que se aproximam uns dos outros, se entendem entre si, desenvolvem através destes contactos (civilização) uma vontade social, colectiva, e compreendem os factos económicos, julgam-nos e adequam-nos à sua vontade, até ela se transformar no motor da economia, na plasmadora da realidade objectiva, que vive, se move e adquire carácter de matéria telúrica em ebulição que pode ser canalizada para onde a vontade quiser e como a vontade quiser.

Marx previu o previsível. Não podia prever a guerra européia, ou melhor, não podia prever que esta guerra duraria o tempo que durou e os efeitos que esta guerra teve. Não podia prever que esta guerra, em três anos de sofrimento e miséria indescritíveis, suscitaria na Rússia a vontade colectiva popular que suscitou. Uma vontade deste tipo precisa normalmente, para se formar, dum longo processo de infiltrações capilares, duma longa série de experiências de classe. Os homens são preguiçosos, precisam de se organizar, primeiro, exteriormente, em corporações, em ligas; depois internamente, no pensamento, nas vontades (...)duma incessante continuidade e multiplicidade de estímulos exteriores. Eis por que, normalmente, os cânones da crítica histórica do marxismo captam a realidade, colhem-na e tornam-na evidente, compreensível.

Normalmente as duas classes do mundo capitalista criam a história através da luita de classes, cada vez mais intensa. O proletariado sente a sua miséria actual, está continuamente em estado de dificuldade e pressiona a burguesia para melhorar as suas condições de existência. Luita, obriga a burguesia a melhorar a técnica da produção, a fazê-la mais útil para que seja possível a satisfação das suas necessidades mais urgentes. É uma apressada corrida para o melhor, que acelera o ritmo de produção, que incrementa continuamente a soma dos bens que servirão à colectividade. E nesta corrida caem muitos, tornando mais compulsório o desejo dos que ficaram. A massa está sempre em ebulição, e do caos-povo surge sempre mais ordem no pensamento, torna-se mais cada vez consciente da sua própria força, da sua capacidade para assumir a responsabilidade social, para ser o árbitro do seu próprio destino.

Isto normalmente. Quando os factos repetem com certo ritmo. Quando a história se desenvolve por momentos cada vez mais complexos e ricos de significado e valor, mas em conclusão, semelhantes. Mas, na Rússia a guerra serviu para despertar as vontades. Estas, através dos sofrimentos acumulados ao longo de três anos, unificaram-se com muita rapidez. A carestia estava iminente, a fame, a morte de fame podia tocar a todos, esmagando dum momento para o outro milhões de homens. As vontades unificaram-se, mecanicamente primeiro, activamente, espiritualmente, depois da primeira revolução.




As prédicas socialistas puseram o povo russo em contacto com as experiências dos outros proletários. A prédica socialista faz reviver num instante, dramaticamente, a história do proletariado, a sua luita contra o capitalismo, a prolongada série de esforços que tem de fazer para se emancipar idealmente dos vínculos do servilismo que o tornavam abjecto, para ser uma consciência nova, testemunho actual do mundo futuro. A prédica socialista criou a vontade social do povo russo. Porque deveria esperar esse povo que a história de Inglaterra se repetisse na Rússia, que na Rússia se formasse uma burguesia, que surgisse a luita de classes para que nascesse a consciência de classe e se desse finalmente a catástrofe do mundo capitalista? O povo russo passou por estas magníficas experiências com o pensamento, embora polo pensamento duma minoria.

Ultrapassou estas experiências. Serve-se delas para se afirmar, como se servirá das experiências capitalistas ocidentais para se pôr rapidamente à altura da produção do mundo ocidental. A América do Norte é, sob o ponto de vista capitalista, mais evoluída do que a Inglaterra, porque na América do Norte os anglo-saxões começaram imediatamente no estádio a que a Inglaterra chegara depois duma longa evolução. O proletariado russo, educado socialisticamente começará a sua história no estádio máximo de produção a que chegou a Inglaterra de hoje, porque tendo de começar, fá-lo-á a partir da perfeição já atingida noutros lados, e dessa perfeição receberá o impulso para atingir a maturidade económica que, segundo Marx, é condição necessária do colectivismo. Foram revolucionários que criaram as condições necessárias para a realização completa e plena do seu ideal. Criaram-nas em menos tempo de que o teria feito o capitalismo.

* * *

As críticas que os socialistas têm feito e farão ao sistema burguês, para pôr em evidência as imperfeições, o esbanjamento de riquezas, serviram aos revolucionários para fazer melhor, para evitar esse esbanjamento, para não caírem naquelas deficiências. Será em princípio o colectivismo da miséria, do sofrimento. Mas as mesmas condições de miséria e de sofrimento seriam herdadas dum regime burguês.

O capitalismo não poderia fazer jamais imediatamente na Rússia mais do que poderá fazer o colectivismo. Faria hoje muito menos, porque teria imediatamente contra ele um proletariado descontente, frenético, incapaz de suportar por mais tempo e para outros as dores e as amarguras que o mal-estar económico traz consigo. Mesmo dum ponto de vista absoluto, humano, o socialismo imediato tem na Rússia a sua justificação. Os sofrimentos que virão após a paz só poderão ser suportados se os proletários sentirem que está na sua vontade e na sua tenacidade polo trabalho o meio de o suprimir no menor espaço de tempo possível.

Tem-se a impressão que os maximalistas são neste momento a expressão espontânea, biologicamente necessária, para que a humanidade russa não caia no abismo, para que, entregando-se completamente ao trabalho gigantesco, autónomo, da sua própria regeneração, possa ser menos solicitada polos estímulos do lobo esfameado de modo a que a Rússia não venha a ser uma enorme carnificina de feras que se devoram umas às outras.



 _

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A hipocrisia da classe média.

Extraído do site da revista CAROS AMIGOS.
"

16/03/2011

Por Ari de Oliveira Zenha

“Para os trabalhadores a verdade é uma arma portadora da vitória e o é tanto mais quanto mais audaciosa for.”
Georg Lukács

A classe média tem desempenhado historicamente um papel importante dentro do sistema capitalista. Como o próprio termo diz média, intermediária, entre dois pólos, atua como uma espécie de amortecedor e alavancador do sistema produtivo do capital, isto política, social e economicamente.

Foi com o advento do capital e sua consolidação como sistema produtivo que esta classe foi adquirindo importância e amplitude.

A formação política da classe média, e isto, falando de forma ampla, é extremamente conservadora e reacionária. Seu projeto de existir, de viver, de agir, de atuar, apesar de ter uma diretriz, um rumo, um objetivo, é conflituoso enquanto classe em si e para si. Este conflito se manifesta em todos os níveis da existência humana. Ao se tornar uma classe para si, ela teve que optar por um projeto político e econômico, e, abraçou o capital como o seu provedor político, econômico e social.

Posicionando dentro deste espectro amplo do sistema econômico capitalista a classe média teve seu apogeu, principalmente nos países desenvolvidos, nas décadas de cinqüenta e sessenta, depois disso tem entrado em um processo de decadência e degeneração incrível. A degeneração da classe média está clara hoje no mundo globalizado do capitalismo. Em toda a parte do planeta esta classe tem apresentado traços, que poderíamos dizer: patológico, alienante, egoísta, cultuando o corpo pelo corpo, o viver pelo viver, o medo doentio é sua marca registrada, pois ao abraçar o sistema capitalista decadente ela absorveu e tem absorvido todo o modus degradante que é inerente deste sistema.

O existir da classe média dentro do capital é viver no inferno pensando no paraíso prometido pelo capital.
A decadência globalizada do capitalismo atualmente, leva consigo não só a classe média, mas todo o nosso planeta. Como classe este aglomerado de seres humanos, sem projeto próprio, perdido entre a burguesia e os trabalhadores, procura refúgio nas formas avançadas do processo tecnológico que o capital oferece e no seu deleite consumista. Falar em classe para este aglomerado humano no sentido clássico dado a ele pelo materialismo histórico  é forçar um pouco as coisas, mas devido à importância que ela teve e ainda tem como formadora de opinião e como força política que é, não seria muito incorreto tratá-la como classe, sabendo de antemão destes limites teóricos, históricos e reais.

Perdida que está, dilacerada no âmago do seu ser, a classe média tenta, de todas as formas lutar, e se debate entre sua extinção como classe pelo capital e como força política hoje, tomando, a força, consciência da iniqüidade do capital e dos seus limites enquanto classe, sem projeto e vida própria que na realidade sempre foi isto que a caracterizou e caracteriza.

Sem vida própria, a classe média não é mais que um aglomerado numeroso de seres humanos, lutando desbragadamente a procura da tão falada felicidade do capitalismo e o seu temor de se proletarizar, envolta no desemprego crônico, na insegurança, no medo e no eterno conflito político/econômico histórico que a caracteriza enquanto classe. Abraçar a transformação da sociedade ou tornar-se de fato uma força política contrária aos interesses da sobrevivência digna do ser humano neste planeta é um dos seus dilemas.

Classe média, aglomerado de milhões de seres humanos perdidos diante da avalanche destruidora do capital, é diante desta realidade que a classe média se encontra. Abraçar a transformação pelo socialismo-democrático-popular ou enterrar-se na destruição do planeta que o capital está impondo ao mundo todo, este, enfim, é o seu dilema que a mortifica!
Será...?!
"


Ari de Oliveira Zenha é economista.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Um camarada chamado Gramsci e o Brasil.

Antônio Gramsci (1891-1937), marxista e intelectual italiano, foi na sua mocidade socialista revolucionário e membro do Partido Socialista Italiano, no seio do qual fez sua iniciação ideológica. Ingressando no movimento, desde cedo demonstrou especial vocação para a militância intelectual. [...].
Em junho de 1928, foi preso e condenado a 20 anos de reclusão pelo Tribunal Especial para a Defesa do Estado.
Apesar do rigor da Casa Penal de Turi, para onde fora mandado para cumprimento da pena, o prisioneiro veio a conseguir cela individual (tendo em vista a sua frágil saúde) e recebeu permissão para escrever e fazer leitura regularmente.
A partir dos primeiros meses de 1929, Gramsci começa a redigir suas primeiras notas e apontamentos que vieram a encher, no transcorrer de seis anos, trinta e três cadernos do tipo escolar. Escreveu até 1935, enquanto a saúde o permitiu.
O tema mais importante, aliás conteúdo central da matéria dos ´Cadernos do Cárcere`, é o pensamento político do autor que traz contribuições inéditas e atualizadas ao marxismo e uma concepção pertinente da estratégia de tomada do poder (´transição para o socialismo`). [...].
Estas concepção e estratégia desenvolvidas essencialmente nos Cadernos é o que podemos chamar Gramscismo ou, mais abrangentemente, Marxismo-Gramscismo.

A CONCEPÇÃO ESTRATÉGICA DE GRAMSCI
A constatação que Gramsci fez de que as sociedades capitalistas tinham diferentes estágios de desenvolvimento o levou a classificá-las em dois tipos [...]: sociedades ´orientais` e sociedades ´ocidentais`, denominação que não têm propriamente significado geográfico, mas relação com o estágio de avanço político, econômico e social em que se encontram os países.
Os do tipo oriental, de capitalismo primitivo, se caracterizam por uma sociedade civil frágil, passiva, com pouca organização e sem maior articulação com o estado. Nestes países o estado é onipotente. A Rússia Czarista era sociedade deste tipo em 1917.
Os países do tipo ocidental, de capitalismo moderno, se caracterizam pela sociedade civil forte, ativa e razoavelmente bem articulada com a sociedade política. O estado é a primeira ´defesa` dos interesses da classe dominante, à retaguarda do qual se desenvolve uma poderosa rede de ´trincheiras` e ´barreiras’, representadas por organismos e instituições governamentais e privadas, por meio das quais o grupo dominante exerce o domínio (coerção) e a direção (hegemonia) sobre toda a sociedade civil. As nações democráticas e de economia avançada são sociedades do tipo ocidental.

A Revolução Bolchevique foi vitoriosa na Rússia (então sociedade ´oriental`), aplicando a estratégia revolucionária marxista-leninista, caracterizada pelo assalto direto ao estado, com emprego da violência revolucionária (levante popular).”
Este modelo estratégico, porém, não teve êxito nos países da Europa Ocidental nas tentativas de tomada o poder levadas a efeito até então (1935).
Gramsci, com visão acurada e crítica, reconheceu que as condições nos países orientais e ocidentais eram diferentes e que, portanto, a transição para o socialismo tinha que obedecer a estratégias diferentes e apropriadas aos estágios de desenvolvimento de cada um deles.
O ataque frontal ao estado para a tomada imediata do poder, com emprego da violência revolucionária, foi comparada por Gramsci à ´guerra de movimento`. Esta estratégia teve êxito em países do tipo oriental [...].
Para as sociedades do tipo ocidental, mais complexas e protegidas por forte sistema de ´trincheiras e de defesas políticas e ideológicas`, a ´guerra de movimento` não se mostrara adequada. Nestas sociedades, a luta teria que ser semelhante à ´guerra de posição`, longa e obstinada, conduzida no seio da sociedade civil para conquistar cada ´trincheira` e cada defesa da classe dominante burguesa.
Em outras palavras, disputar com a classe dominante a hegemonia sobre a sociedade civil e conquistá-la como prelúdio da conquista da sociedade política e do poder.
A partir destra visão original, Gramsci desenvolveu seu conceito estratégico de transição para o socialismo.
A fim de criar as condições históricas para o advento da Sociedade Comunista, conduzir o processo progressivo de transição para o Socialismo Marxista em três fases:
- Numa primeira fase, econômico-corporativa, organizar o partido das classes subalternas, lutar pelo estado democrático e pela ampliação das franquias democráticas, abrindo espaço e condições para o desenvolvimento da ação política revolucionária;
- Numa segunda fase, lutar pela hegemonia das classes subalternas sobre a sociedade civil, tornando-a dirigente e criando as condições para a tomada do poder;
- Numa terceira fase, estatal, tomar o poder, impor a nova ordem e estabelecer o socialismo, etapa provisória e anterior de passagem para o comunismo.
Nesta concepção, o objetivo estratégico é o socialismo marxista, mas o objetivo político-ideológico é realizar a nova concepção do mundo, a nova civilização; a última síntese: o comunismo.
[...]

BRASIL E A REVOLUÇÃO NO OCIDENTE
A estratégia revolucionária de Gramsci veio bem a calhar como uma ´alternativa` acabada ao marxismo-leninismo em crise e posto sob crítica desde a queda do Muro de Berlim em 1989, principalmente para o histórico PCB. Mas não foi só por este aspecto imediato que o gramscismo veio a calhar. Efetivamente, a concepção de Gramsci veio também no momento histórico certo para o movimento revolucionário no Brasil.

O país, a partir de 1930, ganhou um projeto nacional que, apesar dos tropeços e de algumas descontinuidades, avançou consistentemente sob diferentes formas. Foi capaz de proporcionar ao Brasil magnífico progresso econômico (industrialização), político e social que se refletiu positivamente no desenvolvimento da ´sociedade civil` e na modernização do capitalismo, embora com forte participação do Estado. [...]. Esta evolução abrangente, resultado de uma ´revolução passiva` na visão gramscista, chegou ao seu momento culminante nos anos 70, como resultado do programa de desenvolvimento econômico e social da Revolução de 1964.

Segundo os comentadores de Gramsci, o Brasil deixara de ser uma sociedade semicolonial do tipo ´oriental` e, definitivamente, se tornara uma sociedade do tipo ´ocidental`. Conclusivamente, o modelo revolucionário bolchevista ou marxista-leninista de assalto ao poder (´guerra de movimento`) já não se aplica adequadamente ao Brasil, mas preferentemente a nova e atualizada concepção da ´guerra de posição`. E é isto, exatamente, o que se está desenrolando no Brasil.
Recordando as fases do processo gramsciano de transição para o socialismo, podemos dizer que a fase econômico-corporativa no Brasil teve um momento particular em 1964, quando se deu a intervenção político-militar que frustrou o projeto do PCB de tomada do poder e que também depôs o Presidente Goulart com ele aliado (que, aliás por si mesmo, tinha um projeto próprio de golpe de estado). A partir de então, o país viveu um período político autoritário que as esquerdas identificaram, por conveniência ideológica, como ´ditadura militar fascista`.

A sensibilidade política do PCB (ainda fiel ao marxismo-leninismo) e das oposições em geral os levou á formulação de um projeto comum que era muito coincidente com a concepção estratégica de Gramsci para esta fase. Possivelmente pesou a influência de intelectuais gramscistas que já apareciam no cenário das esquerdas. Os empreendimentos recomendados por Gramsci na fase econômico-corporativa foram seguidos pelo PCB, ou seja, luta pela:
- Abertura política;
- Eleições livres;
- Anistia;
- Redemocratização;
- Constituinte.

Diferentemente, grupos açodados e radicais (foquistas, trotskistas e maoístas) optaram pela insensata luta armada, ´guerra de movimento`, que não conseguiu ir além do terrorismo urbano. Foi um desastre que só resultou no endurecimento do regime e na sua maior duração. De qualquer modo, com a derrota das organizações armadas, o processo de abertura foi iniciado pelo próprio regime em 1979.
Em 1985, o país estava redemocratizado e, em 1988, uma nova Constituição que, se não chegou a antecipar uma república socialista, quase chegou a ela.
Com a crise do comunismo soviético e seus reflexos no movimento comunista do Brasil (a reformulação do PCB, transmudado em PPS, e a formação de outros partidos de inspiração gramscista) estava terminada a fase econômico-corporativa e tinha início a fase da luta pela hegemonia (1991).
Agora, a atuação mais importante passa a ser dos ´intelectuais orgânicos` e dos intelectuais tradicionais ´adesistas`.
Tirante o corpo de intelectuais orgânicos do Partido dos Trabalhadores que está bem estruturado e atuante em todos os níveis, os demais intelectuais estão difundidos nos partidos, nos órgãos de comunicação social, nas cátedras, nos ´aparelhos privados de hegemonia`, nas ONG´s, nas comunidades (de moradores, de favelas, acadêmicas, de minorias etc.) e manifestação artística, ativos e conscientes politicamente, mas sem evidências nítidas de vinculação com as organizações políticas. É uma atuação difusa, abrangente, anônima na generalidade, mas muito efetiva, ´moderna` e uníssona.
A luta pela hegemonia é desenvolvida em uma ´frente popular` tácita, nem sempre muito coesa, mas que envolve praticamente todos os partidos de esquerda. Embora divergentes em determinados aspectos teóricos e práticos, têm pontos afins de atuação revolucionária. Os empreendimentos desta fase gramsciana, envolvendo principalmente a reforma intelectual e moral da sociedade e a neutralização do aparelho hegemônico da burguesia, encontram correspondência na atuação dos partidos ´socialistas democráticos` e na dos partidos marxistas-leninistas, particularmente no ´trabalho de massa` destes, concretizando um amplo ´pluralismo socialista` que, nesta fase, é bem-vindo para todos.
Podemos fazer uma breve e imediata constatação de alguns temas trabalhados e dos resultados já alcançados, particularmente em três empreendimentos:
- Superação do Senso Comum;
- Neutralização dos aparelhos de hegemonia da burguesia;
- Ampliação do Estado.


Superação do Senso Comum
O sendo comum é o conjunto das opiniões aceitas pela generalidade das pessoas da sociedade, fazendo com que opiniões discrepantes pareçam desajustadas.
A superação do senso comum significa a substituição e modificação de valores, tradições, costumes, modo de pensar, conformidade religiosa e social, sentimentos e outros elementos que dão à sociedade coesão interna, consenso e resistência a mudanças ideológicas. [...].
Na sociedade brasileira, podemos constatar, sem muito rigor sociológico e psicológico, mas observando o ´presente e o passado` com atenção que, desde os anos 80, alguns critérios, antes bastante sólidos no senso comum, foram modificados radicalmente. As novas gerações nem podem percebê-los. [...].
Vamos tentar identificar algumas dessas mudanças, apontando, inicialmente, as que não podem ser simplesmente atribuídas a uma natural evolução social e moral, para demonstrar a existência de um impulso de ´direção consciente` por trás do fenômeno:
1) O conceito de livre opinião (independência intelectual) está sendo substituído pelo conceito de ´politicamente correto`. A legítima e franca opinião individual vai sendo ´socializada` por substituição pela ´opinião coletiva` politicamente (´homogênea`) correta (´ética`). Este resultado é obtido principalmente pelo ´patrulhamento ideológico` (controle intelectual, estigmatização e censura) e pela ´orquestração` (repetição).
2) O conceito da legalidade está sendo substituído pelo conceito de ´legitimidade`. A norma legal perde a eficácia diante da violação dita socialmente legítima. A invasão de terras, a ocupação de imóveis e prédios públicos, o bloqueio de vias de circulação, o saque de estabelecimentos são legítimos (éticos) porque correspondem a ´reivindicações justas`.
3) O conceito de fidelidade pessoal (dever e compromisso) é substituído pelo de ´fidelidade individual`. O prazer (em oposição à solidariedade, ao altruísmo, à abnegação) é o critério do comportamento social e moral, moderno e livre.
4) O conceito de cidadão está sendo substituído pelo conceito de ´cidadania`. O termo cidadania perde o sentido de relação do indivíduo com o estado, no ´gozo dos direitos civis e políticos e no desempenho dos deveres para com ele` e passa a ser uma relação de demanda de minorias ou de grupos organizados. [...].
5) O conceito de sociedade nacional está sendo substituído pelo de ´sociedade civil`. A comunidade como conjunto das pessoas interdependentes, com sentimentos e interesses comuns, passa a ser o espaço das classes em oposição. Embora não seja aparente, é a cena da luta de classes.
Além destes exemplos, há muitas outras ´superações` do senso comum, menos evidentes (mas visíveis e apontados) porque o ´antes` e o ´depois` já estão muito afastados no tempo e porque já estão integrados, intelectual e moralmente, principalmente no senso comum dos mais jovens da sociedade:
- A personalidade popular como protagonista da história nacional em substituição ao vulto histórico, apresentado como opressor, representante das classes dominantes e criação da ´história oficial`.
- A história ´revisada` (na interpretação marxista) que substitui a História Pátria ´oficial` (´invenção` do grupo dominante).
- A união conjugal episódica ou temporária e de pessoas do mesmo sexo em substituição à família estável e célula básica da sociedade.
- Ecletismo religioso em substituição ao compromisso e fidelidade à Igreja de opção.
- Moral laica e utilitária em substituição à moral cristã e à tradição ética ocidental.
- Discriminação racial, dita como sutil e disfarçada e como realidade que desmente a crença ´burguesa ultrapassada` de tolerância e de sociedade multirracial e miscigenada. Este conceito recente é interessante porque se tornou senso comum apesar de todas as ostensivas evidências de que é falso; resultado da ´orquestração` (afirmação repetida).
- O preconceito, como qualidade que estigmatiza as pessoas conservadoras ou discordantes de certas atitudes e comportamentos permissivos ou tolerantes.
- A informalidade em substituição à convenção e à norma social que pressupõe vinculação institucional e à tradição.
- A moralidade substituindo a ética tradicional que se diz sufocar a felicidade e a liberdade individuais.
- Os direitos humanos como proteção ao criminoso comum (identificado como vítima da sociedade burguesa) e indiferente à vítima real (identificada geralmente como burguês privilegiado).
- ´Satanização` do ´bandido de colarinho branco`, identificado como burguês corrupto e fraudador do povo.
- A opinião pública como critério de verdade maior que os valores morais tradicionais e a própria lógica, quando inconvenientes.
- A mudança como valor superior à conservação.
- A ecologia como projeto superior ao desenvolvimento econômico (´especulação` capitalista burguesa) e social. A organização popular (aparelho privado não-estatal, ´eticamente` superior ao organismo estatal burguês.
Os principais meios de difusão dos conceitos do novo senso comum são os órgãos de comunicação social, a manifestação artística, em particular o teatro e a novela, a cátedra acadêmica e o magistério em geral. A eles se soma a atividade editorial, com menor alcance social.
É preciso acrescentar que nem toda mudança do senso comum resulta de uma atuação intencional e direta destes intelectuais orgânicos. Algumas transformações são decorrentes de uma evolução social natural. O projeto gramsciano de superação do senso comum, porém, é efetivamente um elemento desencadeador do fenômeno em cadeia, criando um clima de mudanças naturalmente estimulador que elimina a estabilidade dos valores e conceitos da sociedade, enfraquecendo suas convicções culturais e sua resistência a certos projetos políticos socializantes.

Neutralização das ´Trincheiras` da Burguesia
De um modo superficial, mas apoiados nas indicações de Gramsci, podemos reconhecer as ´trincheiras` do grupo dominante, da burguesia brasileira, indentificando-as no conjunto das organizações estatais, da sociedade política e das organizações privadas da sociedade civil. Indicamos apenas algumas das mais significativas:
- O Judiciário;
- O Congresso;
- O Executivo (Governo);
- Os Partidos Políticos Burgueses;
- As Forças Armadas;
- O Aparelho Policial;
- A Igreja católica;
- O Sistema Econômico Capitalista.
A neutralização, se possível a eliminação destas ´trincheiras`, é predominantemente uma guerra psicológica (mas não só esta) visando a atingi-las e miná-las [...], por meio do:
- Enfraquecimento, pela desmoralização, desarticulação e perda de base social, política, legal e da opinião pública;
- Esvaziamento, pelo isolamento da sociedade, perda de prestígio social, perda de funções orgânicas, comprometimento ético (´denuncismo`), quebra de coesão interna, ´dissidência interna`;
- Constrangimento e inibição por meio do ´patrulhamento`, penetração ideológica, infiltração de intelectuais orgânicos.”
Resumo das idéias-força (objetivos) da penetração cultural e os temas explorados para realizá-las:


Todos os meios de formação do novo senso comum são também aqueles que se engajam na luta pela neutralização do ´aparelho hegemônico burguês`. Todavia, os elementos principais são os órgãos de comunicação de massa, não só os que estão sob controle dos intelectuais orgânicos mas ainda os outros que acompanham a ´pauta` destes, para não perderem a audiência ou os leitores dos seus veículos de divulgação.
Os órgãos da mídia ´orgânica` mantêm uma pauta permanente abrangendo os temas a serem explorados. Quando os acontecimentos não trazem por si só os escândalos, a corrupção, as denúncias e os fatos e acidentes propícios à utilização, os assuntos são trazidos a público periodicamente por meio de artifícios jornalísticos, mantendo a ´orquestração`. Não-raro, estes artifícios se valem da meia-verdade, da verdade manipulada, da ´armação`, quando não da inverdade.
Os meios de comunicação social privados e estatais da burguesia são também ´trincheiras` que devem ser neutralizadas com prioridade. Isto é feito pela aquisição ou conquista econômica e cultural, principalmente pela infiltração de intelectuais orgânicos e ocupação de espaço e posições na organização.

´Estado Ampliado`
A ´ampliação` do Estado, isto é, a absorção deste pela sociedade civil, segundo a estratégia de Gramsci, deve ser iniciada ainda na fase de luta pela hegemonia, antes mesmo da tomada do poder.
Objetivamente, este empreendimento é conduzido pela ´sociedade civil organizada`, mais precisamente, pelos ´aparelhos privados de hegemonia` das classes subalternas e dos seus aliados. A ´ampliação` se dá na medida em que estes aparelhos (organizações) vão assumindo certas funções estatais. Por isto, as chamadas organizações voluntárias não-estatais têm proliferado, muitas sob a denominação genérica de organizações não-governamentais (ONG), cuja sustentação financeira nunca tem sua origem muito bem conhecida. Mas o fato é que seus recursos não são poucos, antes são abundantes e suficientes para financiar os mais variados projetos e iniciativas e para manter um grande número de pessoas ativas sob os títulos de ambientalistas, especialistas, defensores disto e daquilo, pacifistas etc. Enfim, um exército de intelectuais orgânicos assalariados, alguns dos quais vêm ganhando notoriedade nacional e assídua presença nos meios de comunicação social.
Em termos de efetiva ´ampliação do Estado`, já é visível o papel das ONG´s no exercício de algumas funções públicas. [...] Na maioria dos casos, ainda têm forma de atuação reivindicatória e controladora do governo e dos governantes como, por exemplo, protesto e obstrução a determinadas iniciativas do Estado e a exigência de ´amplo debate` e de ´audiência` antecipada da sociedade civil como condição prévia para a realização de determinadas obras públicas e projetos sociais.
O mais significativo, porém, é o crescente número de convênios entre o Governo e organizações não-governamentais para a realização principalmente de projetos sociais e preservacionistas. Estes convênios, além de levarem recursos públicos às entidades da sociedade civil organizada, são a maneira mais eficiente, embora lenta e discreta, de realizar a ´ampliação do Estado`.
Estas novidades que, à generalidade das pessoas, podem passar por uma moderna evolução da democracia, na verdade é parte da concepção gramscista de transição para o socialismo.


Extrato de partes do livro intitulado:
“A Revolução Gramscista no Ocidente. A Concepção Revolucionária de Antônio Gramsci em os Cadernos do Cárcere”
Autor: Sérgio Augusto de Avellar Coutinho.
Estandarte Editora E.C. Ltda, Rio de Janeiro-RJ, 2002, 128p.
Todo o texto acima foi encontrado em um site militar reacionário de direita. Parece que o tal companheiro Gramsci causa gases e úlceras nos velhacos cachorrinhos do capitalismo. Mudar um mundo que se sustenta em condições de injustiça não é para covardes que ficam sentados sobre seus ovos latindo e implorando restos deixados por seus donos. Mudar o mundo é coisa para seres humanos.
 

← Postagens mais recentes Postagens mais antigas → Página inicial