terça-feira, 29 de maio de 2012

Südmetal - maio de 2012.

Estamos num momento de transição final da Fundição
 Becker para o Grupo Südmetal, que já vem se
desenrolando há tempos.

Como diz o ditado, “nada está tão ruim que não possa
 piorar” e o quadro que se apresenta, com a ampliação
da planta, é o de aumento do ritmo de trabalho, da
exploração, dos acidentes e doenças ocupacionais.

Temos que estar preparados para enfrentar isto.


Contatos: 9237 2964 /
8253 2991 /  9137 4567 /
9836 2206 / 8567 7292

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ELEIÇÕES PARA CIPA.

No mês de maio vão se realizar as eleições para a CIPA na
Südmetal. É neste momento que o trabalhador fará a escolha
 do rumo que vamos tomar, ou seja, quem escolheremos para
 nos representar. Se vão ser aqueles que nos defendem dos
 ataques e artimanhas do patrão ou os que simplesmente se
 omitem ou ainda os que chegam ao cúmulo de apoiar a
empresa.

O trabalhador tem que escolher outro trabalhador que seja
 comprometido com a nossa causa e ponto final. Não se pode
 dar brecha pro patrão porque a CIPA é o nosso instrumento.

ASSÉDIO MORAL A CIPEIROS.

 As chefias têm praticado assédio moral contra cipeiros na
 fábrica, excluindo alguns de suas funções, suas atribuições
 profissionais. Isso caracteriza assédio moral, pois constrange
 os companheiros frente aos colegas, como se eles  não
exercessem suas atividades, quando de fato, é a empresa que
 não quer vê-los atuando em seus setores.

ASSÉDIO MORAL A CIPEIROS.

A Südmetal aumenta seu lucro na base da exploração
desumana nas condições de trabalho e da pressão em cima de
 pressão.

A fábrica é um multiplicador de acidentes e doenças do
 trabalho. Investimento em infraestrutura e tecnologia
(ventiladores, exaustão e higiene), bem como em salários
(qualidade de vida) também, não são prioridades.

A empresa quer aumentar seu lucro a qualquer custo, como
fez recentemente ao tentar terceirizar o produto final, mas
encontrou nossa resistência através de alguns cipeiros
comprometidos com os trabalhadores.

Eles são uma pedra no sapato dos chefetes e puxa-sacos, que
não passam de capachos do patrão.


 PARTICIPAÇÃO DA SEGURANÇA DO TRABALHO.

Quando ouvimos a palavra segurança deveríamos nos sentir
 protegidos. Não é o que acontece no Grupo Südmetal onde a
 Segurança do Trabalho tem o papel de proteger a empresa da
 sujeira que ela mesma pratica dentro da fábrica, ao invés de
 cuidar da segurança do maquinário, que não falte EPI, dar
suporte para o trabalhador ter dignidade em seu local de
trabalho.

Ao invés disso vive de aplicar advertências e enviar capachos
 para testemunhar contra os trabalhadores nas audiências de
 ações trabalhistas. Deixa de exercer as atividades com as
quais deveria tratar e se preocupar de verdade, que é a 
segurança do trabalhador.



SAÚDE DO TRABALHADOR.

A empresa tem se resguardado e negado a emissão de CAT
(Comunicação de Acidente de Trabalho) nos casos de doenças
originadas do trabalho e até mesmo nos acidentes, que ficam
 sem registro.

Esta é uma “malandragem porca”(aquela que deixa rabo!)
 que a empresa através do seu “médico do trabalho” e da
“segurança do trabalho” estão utilizando para tentar limpar
a barra da empresa na questão da saúde do trabalhador,
privando-o de seu direito ao benefício B91 junto ao INSS,
como a estabilidade de 1 ano após o retorno à função e
recolhimento de FGTS durante o período de afastamento.

Tem profissionais que se prestam a varrer a sujeira para
debaixo do tapete, tentando ocultar a realidade.

Mas o trabalhador que for lesado por esses elementos deve
procurar seus direitos, inclusive denunciando ao Ministério
Público do Trabalho e ao Conselho de Medicina(CREMERS)
 para mostrar de vez que o trabalhador não é bagaço de
laranja para ser jogado no lixo depois de exaurido.

Vamos impor respeito!

Você sabia que...

    ... Para mudar a direção do sindicato e fazer com que ele finalmente esteja a serviço dos metalúrgicos, você precisa ser sócio da entidade e não simplesmente estar trabalhando nas fábricas de Gravataí?

    Então, está na hora de transformar nossa revolta em atitude, seja sócio e participe das futuras eleições sindicais.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Carta Aberta Aos Metalúrgicos.



Companheiros(as) metalúrgicos(as) de Gravataí.


Estamos passando por um momento de abandono sindical e paralizacão do movimento em nossa categoria nesta cidade que já dura, na realidade, muitos anos.


Por isso é que vários companheiros(as) trabalhadores de fábricas estão empenhados na construção da oposição metalúrgica que é um instrumento de organização daqueles que estão descontentes com a atual diretoria do sindicato dos trabalhadores metalúrgicos de Gravataí.


Porque somos oposição?


Porque não aguentamos mais os desmandos da direção do sindicato que atua de forma passiva e harmoniosa com os patrões e desmobilizam os trabalhadores deixando-os à mercê dos exploradores que passam por cima dos nossos direitos conquistados com muita luta e suor.


Nossos representantes sindicais se limitam a fazer campanhas salariais com pactos sacanas, como a carta compromisso (acordo que impede mobilizações e greves durante a campanha salarial), banco de horas e acordos medíocres deixando cada vez mais os salários arrochados.


Nosso objetivo é derrubar a direção pelega do sindicato, elegendo pessoas combativas e comprometidas com os trabalhadores e não com os patrões, tornando o sindicato um instrumento de luta e organização dos metalúrgicos de Gravataí e referência para a categoria e demais trabalhadores no estado.


Você que não concorda com esse jogo de cartas marcadas e deseja que tudo isso seja diferente, é convidado a juntar-se a nós. Associe-se no sindicato e faça valer seu direito de votar e ser votado nas eleições e assembléias da categoria.


Vamos construir juntos uma oposição capaz de enfrentar o peleguismo com coragem e determinação em cima de um programa de luta e resistência.


Chega de carreatas e atos públicos para pedir que o Estado dê ainda mais dinheiro para os patrôes, que já estão com os bolsos cheios e nada de trabalhar em favor dos metalúrgicos em Gravataí.


Sindicato é prá lutar, o resto é papo-furado!




Oposição Metalúrgica Intersindical. 
Nenhum direito a menos e avançar nas conquistas.

 _

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entre em contato conosco:



OPOSIÇÃO METALÚRGICA
INTERSINDICAL

 Instrumento de organização da classe trabalhadora nos locais de trabalho e moradia.

Informe-se e nos informe pelos fones: 
  9237 2964   
8253 2991 
9137 4567

e-mails:  
 op.metal.rs@gmail.com    e  
intersindicalgaucha@gmail.com


Oposição Metalúrgica Intersindical
Nenhum direito a menos e avançar nas conquistas.





APERTE O CINTO...

Núcleo de Educação Popular 13 de Maio - São Paulo, SP

CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA

Tel. (11) 92357060 ou (48) 96409331 e-mail: criticasemanal@uol.com.br

EDIÇÃO 1093 – Ano 26; 4ª semana fevereiro 2012.

O capital não se importa com a opinião dos seus economistas. Nem com
suas inócuas políticas econômicas. Passa por cima das turbulências do
crédito, da impotência dos bancos centrais e alarga sem pedir licença a
avenida de mais um período de reprodução ampliada global.

Enquanto a maioria dos economistas continua a afirmar que a crise de 2008/2009
não terminou – alguns ainda mais levianos chegam a afirmar que a economia
permanecerá estagnada nos próximos dez anos! – o que se observa na vida real é
uma lista interminável de fatos demonstrando a continuidade e intensificação da
recuperação iniciada no 3º trimestre de 2009.
Vamos aos fatos. Começando pelos ramos industriais mais estratégicos
para a dinâmica da economia. Na indústria aeronáutica, por exemplo. O capital
está voando. Literalmente. Tanto nos EUA quanto na convulsionada Europa. A
conhecida revista inglesa The Economist relata que tanto a norte-americana
Boeing, quanto a europeia Air Bus, que monopolizam a produção mundial de
aviões de grande porte, correm cada vez mais rápido para atender uma
incalculável avalanche de encomendas de novos aviões. 1

FLYING TO THE MOON 2 – A revista observa que são raros os negócios nos quais

os clientes dos próximos seis anos estejam alinhados em uma fila tão bem-
organizada – fazendo gordos adiantamentos e os completando com mais parcelas
enquanto esperam na fila para ser atendidos. Essa é a folgada posição em que a
Boeing se encontra. No dia 25 de janeiro ela anunciou um aumento de 21% no
lucro líquido anual, para 4 bilhões de dólares.
A maior (e única) rival da Boeing, a Airbus, tem um acúmulo de pedidos
ainda maior – de até oito anos com a capacidade de produção atual. Ano passado,
com esforços para aumentar a produção e atender à demanda crescente, as duas
gigantes fabricantes conseguiram entregar o número recorde de 1011 aparelhos.

JOSÉ MARTINS.

1

The Economist – Faster, faster, faster... the planemakers struggles to fulfil a rush of orders [Mais
rápido, mais rápido, mais rápido... os fabricantes de aviões lutam para atender uma avalanche de
encomendas] – 28/Janeiro/2012 http://www.economist.com/node/21543555
2
[Voando para a lua]

1

Mas para cada avião que entregavam, elas recebiam mais duas encomendas
novas – então a fila continuava crescendo. Em 25 de janeiro deste ano a Boeing
recebeu da Europa sua maior encomenda até agora: a Norwegian Air Shuttle, da
Noruega, vai comprar 122 mega-aparelhos no valor de 11,4 bilhões de dólares.
Se os clientes da Boeing chegam da Europa, os clientes da Air Bus chegam das
Américas. Ninguém é suficientemente miserável, como Colômbia e Equador,
para não engrossar ainda mais aquela bem organizada fila de consumidores de
aviões das duas monopolistas mundiais do setor – a companhia aérea
AviancaTaca, junto com a sua subsidiária Aerogal do Equador, anunciou em
27/Janeiro/2012 a aquisição de 51 aparelhos Airbus A320. É a maior encomenda
de aviões de um cliente na América Latina, informa o diário Público, de Lisboa. 3

CIRCULANDO – Essas gigantescas encomendas de aviões coincidem com a não

menos acelerada expansão da produção mundial de aço. Este importante insumo
da produção industrial representa ótimo indicador de evolução do ciclo
econômico – há uma correlação marcadamente positiva entre ciclo econômico e
produção de aço. Analisemos os dados do último relatório da Worldsteel
Association 4 sobre a produção mundial de aço, em megatoneladas (Mts):



Ano:                  Mts:
2006                  1249
2007                  1347
2008                  1341
2009                  1235
2010                  1429
2011                  1526


 Estes números acompanham estreitamente a evolução do ciclo. Em 2009, auge da
crise, a produção mundial desabou para 1,235.8 Mt. Em 2011, já tinha
recuperado para 1526.9 Mt, ultrapassando em 13,4% a produção de 2007,
correspondente ao auge do período de expansão do anterior (2002-2007).
A elevação recorde desta importante commoditie industrial indica que a
fração constante do capital circulante (matérias primas e insumos industriais) já
se encontra em nível superior ao pico do ciclo anterior. A reprodução é ampliada.
Isso pode ser confirmado por outros importantes elementos da produção
industrial e do comércio internacional. É o que procuraremos verificar em nosso
próximo boletim. Até lá!

3

Público – AviancaTaca adquire 51 aviões Airbus A320 – 28.01.12
http://static.publico.pt/carga_transportes/Noticia/1531212
4
Worldsteel Association – World Crude Steel Production Summary – 23/Janeiro/2012
www.worldsteel.org

2

Para receber semanalmente em seu email análises
econômicas como esta que você acabou de ler, assine e divulgue o
boletim CRÍTICA SEMANAL DA ECONOMIA, do 13 de Maio, Núcleo de
Educação Popular, S.Paulo.

Em 2012, estamos completando 26 ANOS DE VIDA.

Vinte e seis anos informando

ASSINE AGORA A CRÍTICA Ligue agora para (11) 9235 7060 ou
(48) 96409331 ou escreva um e-mail para criticasemanal@uol.com.br e

saiba as condições para a assinatura!

e educando a classe trabalhadora!

(Algumas) Imagens sobre o massacre de Pinheirinho que a mídia não mostra:

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Causa Operária TV - Desocupação do Pinheirinho (SJC) - Imagens exclusivas:


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Invasão do Pinheirinho - Imagens que a TV não mostrou:


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PINHEIRINHO; policia invadem o acampamento e população mete fogo em tudo 22/01/ 2012:


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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Revolução Contra o Capital.

António Gramsci

24 de Abril de 1917


A revolução dos bolcheviques inseriu-se definitivamente na revolução geral do povo russo. Os maximalistas que até há dous meses foram o fermento necessário para que os acontecimentos não se detiveram, para que a marcha em direcção ao futuro não terminasse, dando lugar a uma forma definitiva de organização — que seria uma organização burguesa —, apoderaram-se do poder, estabeleceram a sua ditadura e estão a elaborar as formas socialistas em que a revolução deverá enquadrar-se para continuar a desenvolver-se harmoniosamente, sem excesso de grandes choques, partindo das grandes conquistas já realizadas.

A revolução dos bolcheviques é feita mais de ideologias do que de factos. (Por isso, no fundo, importa-nos pouco saber mais do que já sabemos). É a revolução contra O Capital de Karl Marx. O Capital de Marx era, na Rússia, mais o livro dos burgueses que dos proletários. Era a demonstração crítica da necessidade inevitável que na Rússia se formasse uma burguesia, se iniciasse uma era capitalista, se instaurasse uma civilização de tipo ocidental, antes que o proletariado pudesse sequer pensar na sua insurreição, nas suas reivindicações de classe, na sua revolução. Os factos ultrapassaram as ideologias. Os factos rebentaram os esquemas críticos de acordo com os quais a história da Rússia devia desenrolar-se segundo os cânones do materialismo histórico. Os bolcheviques renegam Karl Marx quando afirmam, com o testemunho da acção concreta, das conquistas alcançadas, que os cânones do materialismo histórico não são tão férreos como se poderia pensar e se pensou.

No entanto há mesmo uma fatalidade nestes acontecimentos e se os bolcheviques renegam algumas afirmações de O Capital, não renegam o seu pensamento imanente, vivificador. Eles não são marxistas, é tudo; não retiraram das obras do Mestre uma doutrina exterior feita de afirmações dogmáticas e indiscutíveis.

Vivem o pensamento marxista e que não morre, a continuação do pensamento idealista italiano e alemão e que se contaminou em Marx de incrustações positivistas e naturalistas. E este pensamento coloca sempre como factor máximo da história, não os factos económicos, inertes, mas o homem, a sociedade dos homens, dos homens que se aproximam uns dos outros, se entendem entre si, desenvolvem através destes contactos (civilização) uma vontade social, colectiva, e compreendem os factos económicos, julgam-nos e adequam-nos à sua vontade, até ela se transformar no motor da economia, na plasmadora da realidade objectiva, que vive, se move e adquire carácter de matéria telúrica em ebulição que pode ser canalizada para onde a vontade quiser e como a vontade quiser.

Marx previu o previsível. Não podia prever a guerra européia, ou melhor, não podia prever que esta guerra duraria o tempo que durou e os efeitos que esta guerra teve. Não podia prever que esta guerra, em três anos de sofrimento e miséria indescritíveis, suscitaria na Rússia a vontade colectiva popular que suscitou. Uma vontade deste tipo precisa normalmente, para se formar, dum longo processo de infiltrações capilares, duma longa série de experiências de classe. Os homens são preguiçosos, precisam de se organizar, primeiro, exteriormente, em corporações, em ligas; depois internamente, no pensamento, nas vontades (...)duma incessante continuidade e multiplicidade de estímulos exteriores. Eis por que, normalmente, os cânones da crítica histórica do marxismo captam a realidade, colhem-na e tornam-na evidente, compreensível.

Normalmente as duas classes do mundo capitalista criam a história através da luita de classes, cada vez mais intensa. O proletariado sente a sua miséria actual, está continuamente em estado de dificuldade e pressiona a burguesia para melhorar as suas condições de existência. Luita, obriga a burguesia a melhorar a técnica da produção, a fazê-la mais útil para que seja possível a satisfação das suas necessidades mais urgentes. É uma apressada corrida para o melhor, que acelera o ritmo de produção, que incrementa continuamente a soma dos bens que servirão à colectividade. E nesta corrida caem muitos, tornando mais compulsório o desejo dos que ficaram. A massa está sempre em ebulição, e do caos-povo surge sempre mais ordem no pensamento, torna-se mais cada vez consciente da sua própria força, da sua capacidade para assumir a responsabilidade social, para ser o árbitro do seu próprio destino.

Isto normalmente. Quando os factos repetem com certo ritmo. Quando a história se desenvolve por momentos cada vez mais complexos e ricos de significado e valor, mas em conclusão, semelhantes. Mas, na Rússia a guerra serviu para despertar as vontades. Estas, através dos sofrimentos acumulados ao longo de três anos, unificaram-se com muita rapidez. A carestia estava iminente, a fame, a morte de fame podia tocar a todos, esmagando dum momento para o outro milhões de homens. As vontades unificaram-se, mecanicamente primeiro, activamente, espiritualmente, depois da primeira revolução.




As prédicas socialistas puseram o povo russo em contacto com as experiências dos outros proletários. A prédica socialista faz reviver num instante, dramaticamente, a história do proletariado, a sua luita contra o capitalismo, a prolongada série de esforços que tem de fazer para se emancipar idealmente dos vínculos do servilismo que o tornavam abjecto, para ser uma consciência nova, testemunho actual do mundo futuro. A prédica socialista criou a vontade social do povo russo. Porque deveria esperar esse povo que a história de Inglaterra se repetisse na Rússia, que na Rússia se formasse uma burguesia, que surgisse a luita de classes para que nascesse a consciência de classe e se desse finalmente a catástrofe do mundo capitalista? O povo russo passou por estas magníficas experiências com o pensamento, embora polo pensamento duma minoria.

Ultrapassou estas experiências. Serve-se delas para se afirmar, como se servirá das experiências capitalistas ocidentais para se pôr rapidamente à altura da produção do mundo ocidental. A América do Norte é, sob o ponto de vista capitalista, mais evoluída do que a Inglaterra, porque na América do Norte os anglo-saxões começaram imediatamente no estádio a que a Inglaterra chegara depois duma longa evolução. O proletariado russo, educado socialisticamente começará a sua história no estádio máximo de produção a que chegou a Inglaterra de hoje, porque tendo de começar, fá-lo-á a partir da perfeição já atingida noutros lados, e dessa perfeição receberá o impulso para atingir a maturidade económica que, segundo Marx, é condição necessária do colectivismo. Foram revolucionários que criaram as condições necessárias para a realização completa e plena do seu ideal. Criaram-nas em menos tempo de que o teria feito o capitalismo.

* * *

As críticas que os socialistas têm feito e farão ao sistema burguês, para pôr em evidência as imperfeições, o esbanjamento de riquezas, serviram aos revolucionários para fazer melhor, para evitar esse esbanjamento, para não caírem naquelas deficiências. Será em princípio o colectivismo da miséria, do sofrimento. Mas as mesmas condições de miséria e de sofrimento seriam herdadas dum regime burguês.

O capitalismo não poderia fazer jamais imediatamente na Rússia mais do que poderá fazer o colectivismo. Faria hoje muito menos, porque teria imediatamente contra ele um proletariado descontente, frenético, incapaz de suportar por mais tempo e para outros as dores e as amarguras que o mal-estar económico traz consigo. Mesmo dum ponto de vista absoluto, humano, o socialismo imediato tem na Rússia a sua justificação. Os sofrimentos que virão após a paz só poderão ser suportados se os proletários sentirem que está na sua vontade e na sua tenacidade polo trabalho o meio de o suprimir no menor espaço de tempo possível.

Tem-se a impressão que os maximalistas são neste momento a expressão espontânea, biologicamente necessária, para que a humanidade russa não caia no abismo, para que, entregando-se completamente ao trabalho gigantesco, autónomo, da sua própria regeneração, possa ser menos solicitada polos estímulos do lobo esfameado de modo a que a Rússia não venha a ser uma enorme carnificina de feras que se devoram umas às outras.



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